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Cleiton e Cazares

Dois acertos do presidente Sette Câmara...

05/02/2020 às 11:17
 Cleiton e Cazares

O presidente do Atlético, Sérgio Sette Câmara, acertou ao vender o goleiro Cleiton por cerca de 5 milhões de euros para o Red Bull Bragantino, mantendo, ainda, 20% dos direitos econômicos da promessa brasileira, o que assegurará ao clube um bom dinheiro numa provável negociação futura para o exterior. O jovem arqueiro, reserva da seleção que disputa o pré-olímpico, tem potencial. Ano passado, o defendi de críticas tão precipitadas quanto desmedidas. Mas é inegável que este atleta, nas chances que recebeu em 2019, ainda não transmitia um nível de confiança verdadeiramente alto. Saía mal nas bolas aéreas com frequência; revelava, também não raramente, certa ansiedade para avançar e abandonar a área para utilizar os pés. Isso quer dizer que não vá corrigir estas lacunas do seu jogo que, em geral, mostra-se bastante qualificado? Claro que não. Estamos falando de um garoto em fase de maturação. Considero apenas, porém, que estas questões são algumas das várias que devem entrar no contexto da análise a respeito do negócio.

Se fizermos um comparativo bem objetivo de outras vendas similares realizadas no mercado brasileiro, encontraremos outros indícios de que a transferência sacramentada pelo Galo prova-se boa: o Grêmio, por exemplo, desembolsou R$ 3 milhões de reais para tirar Vanderlei do Santos. Sim, ele é mais velho – embora com 36 anos recém-completados, para um goleiro, ainda tenha lenha para queimar. Por outro lado, já apresentou muito mais solidez do que Cleiton, carrega um currículo mais recheado, transmite segurança superior. Ainda assim, saiu bem mais barato do que o ex-alvinegro.

Outra bola dentro de Sérgio Sette Câmara foi não ter topado vender Cazares por um valor inferior ao que ele vale – a proposta do Al-Ain, dos Emirados Árabes, ficou na casa dos R$ 12,7 milhões. Há posições que são mais nobres no futebol. A de um meia-armador com capacidade de decidir – caso do equatoriano em análise – é uma delas. A esta altura das janelas de transferências, seria praticamente impossível o Atlético conseguir encontrar uma reposição para o setor com a mesma qualidade e por cifras semelhantes. Cazares invariavelmente é estereotipado injustamente por parte da torcida e da imprensa. Tem seus erros – por exemplo, para mim, mesmo desejando ser negociado para receber vencimentos bem mais robustos, haveria de ter desnudado mais força mental e profissionalismo para se colocar à disposição em sua plenitude desde o início da temporada. Mas as ilações em torno de sua vida familiar, do que ele faz fora de campo, recaem naquilo que Lúcio de Castro sempre chama de “jornalismo manja”: especular acerca de como o atleta despende seu tempo em suas folgas, julgar peremptoriamente sem ter certeza, enfim... Apenas sinais da morte lenta pela qual passa nossa profissão e das falhas, das mesquinharias da nossa espécie – Schopenhauer dizia, com razão, que temos mais dificuldade para julgar do que para raciocinar (e olha que não esbanjamos méritos na mera arte de concatenar ideias...).

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