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Infectologista cita motivos e afirma que não é hora de volta às aulas em Belo Horizonte

Por Redação, 22/10/2020 às 20:36
atualizado em: 22/10/2020 às 20:51

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Foto: Breno Pataro/PBH
Breno Pataro/PBH

O infectologista Carlos Starling, integrante do Comitê de Enfrentamento à Epidemia de Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte, reafirmou nesta quinta-feira (22) que o momento é inadequado para a volta das aulas presenciais na cidade.

A análise foi feita pelo médico em audiência na Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara Municipal, onde ele citou fatores que atrapalham o retorno. Um deles é um parâmetro usado nos Estados Unidos que indica quando a retomada deveria ocorrer.

"Acima de 200 casos para 100 mil habitantes é uma faixa proibitiva. Entre 50 e 200 é uma zona de risco elevado de surto dentro das escolas. Entre 20 e 50 é um risco moderado. Abaixo de 20 é um risco baixo. E abaixo de cinco casos é muito baixo o risco", explicou. Atualmente, BH tem cerca de 70 casos para 100 mil habitantes.

"Locais que voltaram em risco moderado e alto tiveram que fechar nas semanas subsequentes, porque ocorreram surtos. Ainda temos um risco alto de surto, caso voltemos com as aulas presenciais. Coincidência ou não, três semanas após a abertura de atividades didáticas presenciais, estamos vendo a segunda onda da epidemia acontecendo em alguns países", argumentou.

Além disso, segundo o especialista, há o fato de que "alguns trabalhos mostram que ela [a criança] transmite até mais [o novo coronavírus] que adultos".

O infectologista afirmou que as crianças correspondem a 5% das internações e a 0,5% da mortalidade por covid-19. Entretanto, ele explicou que a estrutura para atender um adulto com a doença é diferente daquela que é necessária para os pequenos.

"Se tivermos uma explosão de casos em crianças, isso é muito mais complicado, porque a terapia intensiva de adulto não funciona para criança. São coisas absolutamente distintas do ponto de vista técnico-assistencial. Não temos intensivistas pediátricos, terapia intensiva pediátrica", afirmou.

Outra barreira é que o vírus tem sido associado à Síndrome Multissistêmica Inflamatória Pediátrica, que, como o próprio nome diz, atinge crianças. "O tratamento dessa síndrome é feito com imunoglobulina. E estamos com falta de imunoglobulina no planeta, em função da epidemia e da demanda geral", declarou.

"A situação se reveste de vários aspectos que nos deixam sem uma saída imediata para a solução do problema (de volta às aulas presenciais)", comentou o especialista.

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